Eu li: “Em Busca de Sentido”, de Viktor Frankl

EmBuscaDeSentido
Eu li apenas um livro sobre o holocausto: O Diário de Anne Frank. E assisti apenas um filme sobre este tema, que foi “O Pianista“.
No filme, eu fiquei com uma “pulga atrás da orelha”, porque o personagem principal parecia aquele tipo de personagem sem expressão, que já sabe que só sobreviverá para contar a história, no estilo HermanMelville. O personagem não sofria, não questionava nada, apenas observava as pessoas sofrendo ao seu lado e se escondia como podia. Na época que vi o filme acabei atribuindo isso à diferença cultural. A visão de mundo do cara era bem diferente da minha. Afinal, eu pensava que ele deveria espernear, se revoltar, beirar a loucura. Isso porque ele nem foi para um campo de concentração (ou foi em algummomento? Bom, não me lembro, minha memória não é tão boa para filmes).No entanto, recentemente, lendo este livro, “Em Busca de Sentido”, do Viktor Frankl, consigo entender que o que estranhei no personagem do filme pode ser a mesma apatia ou anestesia que atingia os prisioneiros dos campos de concentração em alguma fase do tempo deles lá.
O livro, como o próprio autor diz logo no seu início, não relata em profundidade o dia a dia dos prisioneiros, ou traz histórias de heroísmo. “É a história de um campo de concentração visto de dentro, contada por um de seus sobreviventes.” Não trata dos heróis nem dos grandes horrores, mas “das inúmeras pequenas torturas”, vividas por pessoas comuns, que não têm nem postos especiais no campo: Fazem trabalhos forçados, estão no fim da hierarquia improvisada do campo.
Oautor, sendo médico, professor de psiquiatria e neurologia, não foi colocado para agir como médico, mas para fazer trabalhos braçais, a não ser no final do tempo dele no campo de concentração. Então estava no meio dos prisioneiros comuns, sem privilégios, embora em uma ou outra situação tenha usado seus conhecimentos para confortá-los. E tenha tirado dos seus conhecimentos as razões e convicções para sobreviver.Entremeio as linhas sobre a vida dos prisioneiros, o autor se distancia e se coloca como observador, faz uma avaliação psicológica da situação. E em apêndices no final do livro nos apresenta a logoterapia.

Eis as principais lições que tirei da leitura:

- O sentido da vida pode se modificar, mas sempre existe. Ele pode vir de uma tarefa ou realização, de uma experiência ou amor, ou da convicção de se passar com dignidade por um sofrimento. Mas esse sofrimento tem de ser inevitável, porque se for evitável o que faz sentido é cessá-lo. Sofrimento pelo sofrimento é masoquismo.
– A pessoa é responsável por realizar o seu sentido, por suas escolhas. Pode se sentir responsável perante sua consciência, perante a sociedade ou perante uma Autoridade Maior (seu Deus).

O livro suscitou em mim grande reflexão e recomendo para pessoas que buscam conhecer a si mesmas, o “funcionamento” do ser humano.

Embora pequeno (186 páginas), o livro é denso. Com licença, que já vou ali começar a releitura.

História do Secretariado

Já pensando no Dia do Profissional de Secretariado, no final deste mês, republicamos este texto de  Diana Ferreira (www.secretariando.wordpress.com).

A profissão de Secretário Executivo remonta “à Dinastia Macedónica, na época em que Alexandre Magno, 356 a.C. – 323 a.C.), aluno de Aristóteles e Imperador da Macedónia, passou a reinar. Ele conquistou as nações do Oriente e expandiu o seu império, dominando o Egipto, a Mesopotâmia, a Pérsia e a Índia. E no Egipto (…) fundou Alexandria.

Segundo Sabino (2004), Alexandre Magno, nas batalhas para suas conquistas territoriais, cercava-se de Secretários, que o serviam não só na composição de seus exércitos, mas também para registar escritos dos acontecimentos dessas batalhas.”

O Escriba é considerado pela História como o primeiro secretário. Estes dominavam a escrita, faziam as contas, classificavam os arquivos, redigiam ordens e recebiam-nas também por escrito, sendo por isso encarregues da sua execução. Eles tinham perfeito domínio do idioma, da literatura e da história do seu país e assessoravam Reis, Imperadores, Filósofos e Líderes.

No Latim Medieval, a palavra “secretarius” designava “a pessoa que escrevia as cartas de outro e que desse modo era depositário dos segredos dessa outra pessoa, era aquele a quem se confiava segredos, que ficava na posse deles.”

Até ao século XVIII a profissão de secretário era exclusivamente masculina. Data de 1812, o ingresso da 1ª mulher no mercado de trabalho. Só durante a 1ª Guerra Mundial (1914-1918) é que as mulheres entraram em força no mercado de trabalho e dez anos mais tarde, após a 2ª Guerra Mundial (1939) havia cerca de 20 milhões de secretárias no mundo. Tendo-se tornado nessa época uma profissão exclusivamente feminina.

Nos nossos dias, muito embora ainda não com muita visibilidade, a profissão já se vai tornando mista, com alguns homens a assumirem o lugar de secretário.

Bibliografia:

“Secretariado executivo em Revist@” (2007);

“Manual para profissionais de secretariado”, por Cristina Cadete

O profissional de secretariado e a burocracia

A burocracia, conforme Idalberto Chiavenato, “é uma forma de organização humana que se baseia na racionalidade, isto é, na adequação dos meios aos objetivos (fins) pretendidos, a fim de garantir a máxima eficiência possível no alcance desses objetivos”.*

Esta é a definição acadêmica, que nos leva à Teoria da Burocracia, uma das Teorias da Administração.

Agora, o que nos vem à mente quando pensamos em burocracia, ou seja, o senso comum sobre a palavra, está nas definições 3 e 4 no Dicionário Caldas Aulete, que se aproximam do que os acadêmicos chamam desvios ou disfunções da burocracia:

3. Observância formalista ao extremo de regulamentos e trâmites administrativos; os trâmites assim conduzidos

4. Excesso de papelada e de exigências que tornam morosos os serviços prestados pelos órgãos públicos e privados: É uma burocracia sem fim tirar esses documentos

Para Max Weber, sociólogo cujo trabalho inspirou a fundamentação da Teoria, a burocracia tem as seguintes características principais:

1. Caráter legal das normas e regulamentos;

2. Caráter formal das comunicações;

3. Caráter racional e divisão do trabalho (p. 15).

O que tudo isso tem a ver com secretariado? Porque temos que garantir a legalidade e a racionalidade dos processos de trabalho dos quais participamos. Ou seja, para desempenharmos o nosso papel com excelência, precisamos ser burocratas, no sentido de tirar partido da essência, das vantagens, da Teoria da Burocracia.

Nota

*CHIAVENATO, Idalberto. Teoria Geral da Administração: abordagens descritivas e explicativas. 4 ed. São Paulo: Makron Books, 1993.

O secretariado executivo e a engenharia social

 

“Engenharia social é termo utilizado para descrever um método de ataque, [no qual] alguém faz uso da persuasão, muitas vezes abusando da ingenuidade ou confiança do usuário, para obter informações que podem ser utilizadas para ter acesso não autorizado a computadores ou informações.” (Terra)

O filme Prenda-me Se For Capaz é emblemático, sempre vem à mente de quem fala sobre o assunto. O personagem principal é falsário e tem muitas habilidades sociais, com as quais consegue enganar pessoas para ganhar dinheiro e vantagens.

Um dos disfarces de Abgnale Jr. (Leonardo di Caprio) no filme "Prenda-me Se For Capaz"

Um dos disfarces de Abgnale Jr. (Leonardo di Caprio) no filme “Prenda-me Se For Capaz”

Um exemplo clássico de ação de engenheiros sociais são aquelas mensagens de spams que nos anunciam que ficamos milionários porque faleceu um figurão da Costa do Marfim que não tinha herdeiro, blá, blá. Algumas são mais verossímeis que outras… No entanto, nem sempre os fraudadores usam a tecnologia para nos abordar; pode ser cara a cara, ou por telefone, só com lábia. Eis um exemplo de atuação possível para se conseguir informação, relatado pelo Jorge Lordello, especialista em segurança pública e privada:

“[Aguardando um voo,] como sempre me preocupo em chegar com folga, fiz o check in às 05h30 e aproveitei o tempo de espera para dar uma olhada na livraria e depois tomar um café. O aeroporto de Cumbica já tinha intenso movimento de pessoas. Muitos executivos trajavam camisetas com o logotipo de suas empresas. Alguns, ainda, portavam crachás de identificação, contendo nome completo e até cargo. Será que existe algum perigo nessas condutas? Prevenir é sempre melhor que remediar. [...]  Há 22 anos realizo intensa pesquisa criminal. [...]  Posso garantir que muitos assaltos e seqüestros tiveram início com o vazamento de uma simples informação. Continuava esperando a chegada do avião, quando um homem, de aproximadamente 45 anos, sentou-se na poltrona ao lado. Trajava uma camiseta pólo de cor preta, com o símbolo da empresa em amarelo, afixado nas costas. Aproveitei para verificar até onde ele divulgaria detalhes do local onde trabalhava. Logo de início fiz um elogio à camiseta e o comentário foi interessante: ‘Foi idéia de meu Diretor de Marketing, Sr. Otacílio. Pra mim foi uma mão na roda, agora, quase não uso mais minhas roupas. Até para ir à ginástica me visto assim, combina com qualquer situação’. Continuei com a conversa em ‘banho-maria’, aos poucos ele foi dando mais informações. Com a aproximação da aeronave, levantei a possibilidade de comprar a tal camiseta. A resposta foi surpreendente: ‘Tome meu cartão de visita, envie seu endereço por e-mail que remeto de presente a você’. O cartão consignava dados excessivos sobre a firma e até o cargo do funcionário: Gerente Financeiro. Se a informação é o segredo de todo negócio, então devemos guardá-la a 7 chaves.”

Nós, profissionais de secretariado, estamos do outro lado da ação dos engenheiros sociais. Muitas vezes somos nós que recebemos o primeiro contato deles, seja por telefone, por e-mail, por correspondência.  Por isso, temos de nos precaver, sempre verificar para quem estamos passando informações e qual será o uso delas, principalmente se ouvirmos aquele discurso arrogante de “sabe com quem você está falando?”.

E você? Já lidou com um(a) engenheiro(a) social? Responda nos comentários.

Suzane, secretária executiva?

Eu tenho preguiça mental de discutir assunto como o suscitado agora (nas redes sociais e no grupo de secretárias de que participo) pela menção de que Suzane von Richthofen vai atuar como secretária executiva num escritório de advocacia (veja notícia da Veja).*
No entanto, resolvo expor minha visão. Neste caso a situação apresenta apenas duas possibilidades:
- Ou ela fez um curso de graduação em Secretariado Executivo à distância, o que os jornais não mencionam;
- Ou as entidades representativas da categoria (sindicatos e FENASSEC) precisarão entrar em ação, buscando que a lei de regulamentação da profissão seja cumprida.
Ponto.

*Atualização de 16/08/2014. Esta notícia do site Globo.com já menciona que ela será auxiliar de escritório: Advogado de Suzane von Richthofen que empregá-la em seu escritório. Encontraram a terceira saída: registrá-la com outro cargo, que não seja secretária executiva.