Eu, profissional de secretariado

— Andréa Kuzda

Fui convidada pela Daniela a escrever esse texto contando como foi minha decisão de ser secretária. Na verdade ser secretária não era minha primeira opção…

Sou formada em comissária de bordo pela extinta escola de aviação TAM Trainning e, por diversas vezes, tentei processos seletivos, mas que nunca deram certo. Hoje posso dizer que felizmente não deram certo, mas naquela época me trazia grande tristeza, sensação de incapacidade. Um dia, após sair de mais uma entrevista sem sucesso, comecei a me questionar o que eu queria pra minha vida, qual outra profissão eu poderia ter que me trouxesse satisfação e realização?

Naquela época eu trabalhava em um consultório de psicologia e por um erro da empresa de contabilidade eu fui registrada como secretária. Foi então que decidi pesquisar mais sobre a profissão e vi que era muito mais do que eu esperava. A grade de matérias do curso de graduação incluía direito, economia, negociação – afinal estamos negociando o tempo todo –, e também o estudo de outros idiomas. Além disso havia um lado muito próximo à função de comissária de vôo, que era o lado de servir, atender, fazer a pessoa à qual você “atende” ser importante, ou seja, ser secretária me traria a tão esperada realização profissional e pessoal.

Prestei vestibular em 2004, mas não concluí a graduação por que fiquei desempregada. Somente em 2008 pude terminar o curso e ter o tão esperado título de secretária.

Mesmo sendo formada há apenas 5 anos já exerço a função há aproximadamente 8 anos, com o famoso jeitinho brasileiro de registrar profissionais com outras nomenclaturas: assistente, auxiliar, etc. Hoje digo com muito orgulho que sou secretária executiva e que minha bagagem profissional e pessoal se deve muito à função que escolhi pra seguir carreira.

Já passei por empresas de vários segmentos e tamanhos, da área da saúde, informática, financeira, e agora assumo nova responsabilidade em uma empresa de consultoria. Continuo estudando, e muito, porque nossa profissão exige qualificação e aperfeiçoamento constante.

Ainda não fiz pós-graduação, mas isso será um próximo capítulo do meu aperfeiçoamento e que espero alcançar em breve.

Este é um pouco da minha história pessoal e profissional. Resumidamente quis compartilhar como foi a minha decisão de ser secretária e espero poder ajudar a quem ainda tem dúvida se vale a apena investir na carreira. Se é este o seu caso, busque informações procure conversar com pessoas da área e ouça seu coração, ele é um grande sábio e nos orienta a qual caminho seguir.

A minha escolha foi feita com a razão e com o coração e de forma alguma tenho arrependimentos.

Frase de quinta? # 12

Foto retirada de:www.sxc.hu

Foto retirada de:www.sxc.hu

“Enquanto fazemos da felicidade uma meta, não podemos alcançá-la. Quanto mais a almejamos, mais ela se distancia. (…) Mas quando você não pensa em prazer ou satisfação, mas simplesmente se entrega, seja na vida sexual, seja no trabalho, seja no amor, quando não mais se preocupa em ser feliz ou bem-sucedido, então a felicidade se instala por si mesma.”

— Viktor Frankl, médico psiquiatra austríaco. Fonte: Veja

 

A importância do foco

Trabalhei por alguns anos em uma empresa que tinha o que chamávamos de “horário de silêncio”. Eram as duas primeiras horas do expediente da manhã e cerca de 1 hora do expediente da tarde, em que  evitávamos interromper os colegas. Eram horários para fazermos tarefas que exigiam mais concentração. No meu caso, aproveitava para “passar a limpo” anotações de uma reunião, ou para redigir correspondências ou relatórios mais complexos, entre outras. Nem sempre era possível seguir essa rotina à risca, mas quando seguíamos ela era muito proveitosa.

No início deste ano li na Você S/A um artigo em que o Daniel Goleman defendia a ideia de que o foco ajuda a aumentar a produtividade, que reafirmou para mim o que já tinha constatado com essa experiência do “horário de silêncio” e o que escrevera no artigo “Ser multitarefas pode ter contraindicações” .

Há uns dias, no site da Época, encontrei novamente um artigo sobre o livro do Goleman e, consequentemente, sobre a importância do foco. Dessa vez não resisti em abordar o tema aqui.

Segundo Goleman, há três tipos de foco: 1) em si mesmo; 2) foco no outro; 3) foco no mundo à sua volta.

Conforme citado no artigo de Época, o primeiro tipo de foco “nos permite entender – e controlar – nossos sentimentos e emoções. O segundo é o foco nos outros, que é o que nos faz ouvir o que as outras pessoas dizem e ter a capacidade de nos colocar no lugar delas, compreendendo o que estão sentindo. Essa empatia, que só é alcançada por meio da atenção no outro, é que nos leva a ter sentimentos nobres como a compaixão. O terceiro tipo de foco é a atenção que devemos dar ao que acontece a nossa volta e como nossas atitudes impactam o resto do mundo. Esse tipo de atenção gera consciência social e sensibilidade aos problemas que afetam o mundo todo, como o aquecimento global e a fome”.

Para entendermos como esses três tipos de foco se correlacionam, podemos ouvir o próprio Daniel Goleman (à revista Época): “Quem não consegue prestar atenção nas próprias emoções dificilmente compreenderá os sentimentos de outra pessoa e muito menos se sensibilizará com os problemas do mundo”.

Cada pessoa perde a concentração em certas situações. Goleman divide as distrações em dois tipos: a sensorial e a emocional. A primeira tem a ver com os cinco sentidos, o que percebemos do mundo ao nosso redor. A segunda vem de dentro de nós, de como reagimos ao que nos acontece.

Conhecendo melhor o que nos prende a atenção e o que nos distrai, podemos ter maior controle sobre a nossa capacidade de concentração.

Tanto o primeiro artigo que mencionei quanto o artigo de Época chamavam atenção para o lançamento do livro Foco (Objetiva, 294 páginas, R$ 39,90, desde janeiro nas livrarias), do Daniel Goleman, aquele, da Inteligência Emocional. Este já está na minha lista de “Livros que quero ler”, sem previsão definida, porque estou numa fase de ler livros literários.

Frase de quinta? # 11

“Seu trabalho irá tomar uma grande parte de sua vida e o único meio de ficar satisfeito é fazer o que você acredita ser um grande trabalho. E o único meio de se fazer um grande trabalho é amando o que você faz.”

— Steve Jobs – Fonte: Instituto Jetro

Um secretário executivo com a palavra

A Coluna “O Associado com a Palavra” do site do Sindicato das Secretárias e Secretários do Estado de Minas Gerais (SINDSEMG) publicou entrevista com Weidman Machado Bernardino, que tem graduação em secretariado executivo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e atualmente é secretário executivo da Cemig Distribuição S.A.

Reproduzimos aqui grande parte da entrevista.

Sindsemg: Como se deu sua escolha profissional? Chegou a realizar algum teste vocacional que identificou suas potencialidades?

Primeiramente escolhi a profissão pela possibilidade de contato com outros idiomas, mas no decorrer do curso fui me identificando com o perfil exigido desses profissionais. Dentre eles estão a visão sistêmica, o trabalho em equipe , a postura e a etiqueta empresarial, a comunicação, o gerenciamento do tempo, entres outras habilidades que me fizeram identificar ainda mais com área Secretarial.

[...]

Sindsemg: O que pensa a respeito do papel do idioma na carreira de um Secretário?

Atualmente o uso de idiomas estrangeiros vem sendo requisitado em várias áreas do conhecimento, e na profissão de Secretário não poderia ser diferente, pois trabalhamos com comunicação empresarial em todos os seus aspectos. A língua inglesa e o espanhol ganham destaque, pois são os idiomas mais solicitados pelas empresas na contratação dos profissionais de Secretariado. Contudo, os mesmos não param por aí e já estão optando, como diferencial competitivo, pelo aprendizado do francês, do alemão e do mandarim, pois muitas organizações necessitam manter contatos com pessoas de diferentes nacionalidades. Sendo assim, a variedade de aprendizado de línguas estrangeiras acaba sendo como um diferencial no mercado.

Sindsemg: Qual foi o maior desafio profissional que enfrentou até o momento?

O maior desafio profissional é quebrar o preconceito. Não falo somente do preconceito de gênero existente no nosso ofício, em que a maioria desconhece a atuação masculina na área de Secretariado, mas sim o preconceito de não reconhecer nossa profissão com Ciência. Vimos no cotidiano, na televisão ou qualquer outra microesfera social um total desconhecimento da área de Secretariado, e até mesmo um desrespeito com os profissionais da área. Precisamos de uma atuação mais enérgica na disseminação do conhecimento Secretarial como Ciência, capaz de produzir conceitos científicos e disseminá-los no meio acadêmico e profissional.

[...]

Conte-nos resumidamente o que o levou a abordar a questão de gênero num artigo acadêmico de sua autoria.

Devido ao pequeno número de contratações de profissionais do gênero masculino por parte das empresas, decidi, juntamente com meu colega Warley Stefany Nunes, também Secretário Executivo, — escrever um artigo relatando a questão do preconceito contra homens na profissão de Secretário. O resultado da pesquisa foi que, no imaginário social, cristalizou-se como essencialmente feminina a profissão de Secretária, termo muito utilizado em anúncios de jornais, revistas e sites na internet, distanciado a atuação masculina da profissão. Diante disto, houve um estudo baseado na análise da linguagem como ferramenta de construção de ideias, concepções e conceitos que servem como forma de manter determinada situação social, e consequentemente, um tipo de estratificação profissional. O que se propõe é uma mudança de ideias de forma que se perceba que a qualificação e a atuação profissional independem do gênero.

 

Para ler a entrevista na íntegra, acesse este link.