Paixão pelo que se faz?

Devorei o livro “My Life in France”, da Julia Child. É fascinante a paixão da famosa chef de cozinha pela culinária e pela gastronomia. Ela demorou a encontrar sua vocação, por assim dizer, mas quando encontrou, brilhou. Eu conheci a história da Julia através de um post da Thais Godinho que falava do filme Julie e Julia. Tanto o filme quanto o livro que mencionei são uma forma de lazer produtivo para quem está precisando de motivação, repensar sua vocação, ou simplesmente quer se deleitar com as expressões do francês ou com o clima romântico do filme (que é mais especial ainda no livro), além é claro, daqueles que gostam de culinária ou gastronomia. Já o livro da Julia Powell que realmente originou o filme… não me interessou.

O que isso tem a ver com este blog? Diretamente, nada. Indiretamente, podemos fazer toda uma reflexão (a partir da vida da Julia Child). É revigorante “ver” alguém se dedicar ao que gosta de fazer. A gente poderia até colecionar histórias desse tipo. #quemsabe?

Um tempo atrás li um texto da Lucy Kellaway chamado “Os perigos da paixão pelo trabalho”, então já tinha aprendido que a dedicação da Julia Child pelo trabalho não demonstra que ela era apaixonada por ele, mas que gostava do que fazia, era conscienciosa. A Lucy defende, de forma razoável, que é preciso sempre se buscar o equilíbrio. Se dedicar ao que se faz, sem ir às “raias da loucura” porque algo não saiu da forma como queríamos. Por que isto é o que os apaixonados fazem. E isso não combina com o ambiente de trabalho.

Mnemônica para o gasto

Certa vez fiz um minicurso sobre Relações no Trabalho no qual o palestrante também deu uma “palhinha” sobre mnemônica. A principal fala dele que anotei no meu bloquinho durante o minicurso foi: “O que a gente memoriza ou não, tem a ver com o nível de atenção que você dispensa ao item e tem a ver também com a emoção que o assunto desperta.” Eis a principal dica dele:

Ao ser apresentado a alguém, repetir o nome da pessoa apresentada, para “registrar”, tentar associar o nome dela ao de alguém que se conheça há mais tempo. Se o encontro for realmente importante, na primeira oportunidade anotar o nome e breve descrição da circunstância (reunião sobre X, evento tal). Essas estratégias (falar sobre algo que se quer memorizar, ou repetir o nome ainda que mentalmente; tomar nota; associar) servem para qualquer outro dado ou informação que se precisa memorizar.

Agora uma dica que aprendi de outras fontes:

Não confie na memória. Por quê? Porque, tudo bem, ela pode atender em 80% das ocasiões, mas pode faltar bem na hora mais fatídica, mais necessária, aquela que traz mais emoção.

E como lido com isso? Registro todos os dados e informações relevantes que chegam até mim. Primeiramente, anoto em papel, em um caderno que deixo sempre à mão. Eu gosto de fazer anotações em papel, mesmo. Tenho até a impressão de que ajuda no aprendizado ou na memorização, conforme o caso.

5 perguntinhas para reflexão – carreira

1. O que você faz para manter sua carreira nos trilhos?

2. Você conhece seus pontos fortes e fracos?

3. Em qual ponto fraco seu você trabalhou nos últimos seis meses?

4. Você já ensinou algo a alguém que lhe pediu ajuda no trabalho?

5. Você ficaria satisfeito em ter boas memórias e em saber que fez algo maravilhoso, ou você precisa constantemente alcançar algo novo para ser feliz?

 

Nota:

A primeira e a última pergunta foram retiradas de http://www.blogher.com/nablopomo-august-2014-prompts

“Você não é bom o suficiente”

De vez em quando gosto de ler livros que não têm muito a ver com minha leitura costumeira ou com meus principais interesses. É uma forma de abrir a mente. Numa dessas ocasiões, li o “The Writer’s Doubt”. Digo que o livro não tem muito a ver comigo, porque me tornar escritora de ficção seria uma aventura muito remota para mim. E este é um livro motivacional para escritores, principalmente de ficção. No entanto, durante a leitura a ideia de perseverança contra todos os estímulos que nos puxam para trás, foi chamando minha atenção e grudando na minha mente. Então icei do livros três lições que podem ser inspiradoras para todas as áreas da nossa vida.

– Sempre que você fizer algo, vai aparecer alguém para dizer que você não é bom o suficiente. Tudo bem. Se alguém tomou tempo de parar para lhe dizer isso, significa que o que você faz é no mínimo relevante. Continue. Este é o caminho para melhorar.

– Há uma voz dentro de você dizendo que você não é bom o suficiente no que você faz. Faça o que faz mesmo assim. Quanto mais alto essa voz falar, significa que você está indo mais longe.

– Dedique-se ao que faz, mas quando tiver um prazo de entrega, conforme-se com o melhor que consegue fazer dentro do prazo. Entregar algo “bom” ainda é melhor do que não entregar nada.

E aí? As frases fizeram sentido para você também? Explique nos comentários.

Resenha: livro Vida Organizada, de Thais Godinho

Créditos da Imagem: Alessandra Messa - blog "Fútil, Mas Inteligente"

Créditos da Imagem: Alessandra Messa – blog “Fútil, Mas Inteligente”

Leio o blog Vida Organizada desde 2010. Com ele aprendi a prestar mais atenção na minha forma de organizar e até no que eu queria para minha vida. Com ele conheci o GTD, embora não o aplique completamente. Gosto muito do jeito da Thais, autora do blog e do livro, escrever, e fiquei feliz ao perceber que ela conseguiu transportá-lo bem para o livro “Vida Organizada”. Percebo que no Brasil faltam livros de não-ficção escritos de uma forma mais fluida, mais próxima do leitor, tenho a impressão que os autores brasileiros tendem a se aproximar da escrita acadêmica.

A Thais começa o livro com vários exercícios de autoconhecimento. A ideia é que não é possível correr atrás dos seus objetivos se você não souber o que realmente quer da vida. Fiz cada um, mesmo os que já tinha feito alguma vez na vida, porque esse é o tipo de exercício que é bom se refazer de tempos em tempos. A certa altura, quando queria ler o livro mas não tinha papel e caneta para fazer as anotações dos exercícios, deixei um pouco de lado a leitura na sequência “correta” e passei a ler os últimos capítulos. E não perdi nada com essa inversão da ordem dos capítulos, porque o livro todo é coerente.

Ela imprime um ritmo bom ao livro, intercalando ideias gerais, mais teóricas, e dicas práticas, e ao  final de cada capítulo sempre retoma o que foi dito, sendo que essa retomada é um recurso didático muito importante. Apesar de ter destacado 20 trechos na leitura, proponho-me a compartilhar apenas três citações: duas que têm muito a ver com a nossa profissão de secretariado executivo, pois trata da questão da priorização, e uma que eu diria que é a “alma” do livro.

“Há um segredo para as pessoas serem organizadas? Sim, e eu vou dizer qual é: elas são rígidas com suas prioridades. Simples assim? Pois é. Ser rígido com prioridades significa dizer não para alguma atividade que atrapalhe sua rotina. […] Quando temos prioridades, aprendemos a delegar e a não assumir compromissos que não conseguiremos cumprir.”

“Ser uma pessoa organizada ajuda a controlar muita coisa em nossa vida. O mais importante, porém, é que a organização cria um filtro: aprendemos a dizer não para atividades que afogariam nosso tempo e descomplicamos a vida de uma maneira antes inimaginável”.

“Ser organizado é um hábito e, como todos os hábitos, é preciso começar aos poucos, sem expectativas muito altas, e ir desenvolvendo devagar, até finalmente alcançar aquilo que consideramos o ideal, ou ao menos chegar o mais próximo disso. Esse dia pode acontecer em uma semana ou em três anos, ou talvez nunca fiquemos completamente satisfeitos. Lembre-se: existem tantas maneiras quanto personalidade, e tudo depende de você.”capa_vida_organizada